O governo do Rio Grande do Sul está dando sequência ao projeto de concessão das rodovias do Bloco 1. No final de outubro, o governador Eduardo Leite (PSD), detalhou o processo, que deve levar cerca de um ano. A assinatura do contrato com a empresa que vai ser responsável pelas estradas da Região das Hortênsias está prevista para dezembro do ano que vem.
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Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Com o intuito de instalar 23 pontos de cobrança, todos automáticos no sistema free flow, o trajeto entre a capital do Estado e Gramado pode ser de até R$ 25 por trecho. Por isso, a concessão do Bloco 1 gera polêmica e divide opiniões.
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Consultas públicas
O Estado abrirá a etapa para consulta pública sobre a concessão do Bloco 1 de rodovias, com o propósito de apresentar o projeto e ouvir as demandas da população. Em Gramado, o encontro ocorrerá no dia 18 de novembro, às 9h30, no Expogramado.
A previsão é lançar o edital da licitação em março de 2026, já considerando os apontamentos da comunidade e do Tribunal de Contas. O leilão na Bolsa de Valores deve ser em junho. Em agosto, ocorrerá a homologação e, em dezembro, a assinatura do contrato.
Contrários ao projeto
O prefeito de Nova Petrópolis, Daniel Carlos Michaelsen, afirma que a administração é contrária ao projeto. Na segunda-feira, dia 3, políticos da cidade se reuniram com o governo estadual.
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“A ideia do Estado é duplicar a rodovia com mureta entre as vias. Nós não queremos uma pista de corrida. Nossa região merece uma via segura, com terceira pista onde é necessário, que priorize o ciclista e o pedestre. Queremos uma rodovia que encante quem trafega, que seja um atrativo por si só. Queremos um trajeto seguro aos motoristas, aos pedestres, aos ciclistas”, destaca.
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Segundo o prefeito Daniel, o aumento no custo dos pedágios entre Porto Alegre e a região irá prejudicar o turismo. O gestor municipal aponta que não houve nenhum tipo de diálogo anterior e que tomou conhecimento do projeto por meio da imprensa.
O prefeito de São Francisco de Paula, Thiago Teixeira, reforça que também não apoia o formato do Bloco 1.
“Os valores de tarifa estão altos e são poucos investimentos. Quando a gente fala de investimentos, estamos falando, por exemplo, de uma ciclovia em todo o trecho do distrito industrial. Precisaríamos, no mínimo, de 14 km de terceira pista na estrada tão perigosa que liga Taquara a São Francisco de Paula. Também é necessário um viaduto na localidade da Recosta. A gente acredita que sim, o pedágio pode ficar bom, mas são necessárias diversas mudanças no projeto apresentado”, salienta.
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O prefeito de Canela, Gilberto Cezar, reuniu-se com o Estado para demonstrar a contrariedade ao pedágio da RS-466. “A população ficaria cercada. Os moradores teriam que pagar para circular dentro do próprio município”, diz.
“Não pode ficar somente na cobrança e projetos”
O presidente do Sindtur Serra Gaúcha, entidade que representa a classe hoteleira, Claudio Souza, pondera ser vital a concessão das estradas da região. Ele frisa que acredita, contudo, que será “oportunista”, caso haja pedágio na RS-466.
Segundo ele, a decisão de conceder as estradas é uma forma do Estado dizer aos cidadãos que não tem competência para essa administração. “Esperamos que, no mínimo, seja um contrato formulado para concluírem as melhorias dentro do cronograma sem os “aditivos” de praxe”, acentua.
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“Se tivermos melhores acessos e com segurança, entendemos que é uma boa alternativa, porém não pode ficar somente na cobrança e projetos. Estamos há anos com a EGR arrecadando, mas a Serra não vendo as obras com as devidas proporções”, argumenta.
Claudio cita que não acredita que haverá uma queda no fluxo turístico com o aumento do valor do pedágio. “Todos se programam para vir a Gramado e estradas em melhores condições irão trazer benefícios e mais turistas”, afirma.
Câmaras reagem
Do Vale dos Sinos à Região das Hortênsias, Câmaras de Vereadores têm se mobilizado contra o projeto. Em sessões, os parlamentos aprovaram moções de repúdio e manifestações conjuntas. Em Gramado, a vereadora Professora Denise (PP) considerou “inadmissível” o aumento no custo de transporte, prevendo prejuízos ao turismo e ao comércio local.
Já em Canela, o vereador Nene Abreu (MDB) afirmou que a Câmara é “contra o formato proposto”.
O colega Lucas Dias (PSDB) criticou a possibilidade de um pórtico próximo ao bairro Caracol, o que, segundo ele, “dividiria a cidade”. “Leite insulta a inteligência do gaúcho ao dizer que não criaria praças físicas de pedágio — mas cria pórticos que cobram do mesmo jeito”, disse.
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A rota também é utilizada pela comunidade como uma via alternativa entre Gramado e Canela. “A gente vai ter um pedágio entre o Centro de Canela e o bairro Caracol e esse pedágio vai ficar instalado no pequeno trecho da Estrada do Caracol que pertence a Gramado. Ou seja, os impostos recolhidos serão destinados para Gramado”, argumentou.
*Colaboraram: Dário Gonçalves e Igor Müller
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