A economia brasileira vive um momento de incertezas em meio ao tarifaço Trump. A medida anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no início de julho, eleva para 50% a taxa de produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano. Como a medida passa a valer na próxima sexta-feira (1º), entidades do Estado e região já pensam em alternativas para, pelo menos, amenizar os impactos.

Foto: Shutterstock
LEIA TAMBÉM: TARIFA DE TRUMP: Entenda os impactos e alternativas para o setor coureiro-calçadista mediante taxa de 50%
Algumas entidades gaúchas defendem uma atuação concreta e efetiva do governo federal, incluindo negociações prévias e, caso a taxa de 50% se confirme, ações como financiamentos e crédito facilitado para setores atingidos. Entre os setores atingidos está o metalmecânico e o coureiro-calçadista.
“O que estamos pedindo ao governo federal é que pense em medidas, como as que foram feitas durante a pandemia e enchente, com linhas de crédito atrativas, financiamentos, auxílio para empresas não terem que demitir seus colaboradores. Estamos falando dos EUA que é um mercado grande e poderoso, algo que não se ‘acha na esquina’. Poderíamos pensar em levar algo pra China, mas é um mercado também que está tomado”, ressalta o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico do Rio Grande do Sul (Sindimetal RS), que tem sede em São Leopoldo.
Renato Klein, presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados do RS (Sicergs), com sede em Novo Hamburgo, destaca que as tentativas de negociação devem ser fortalecidas. O dirigente lembra que o setor coureiro-calçadista atua fortemente no modelo private label, ou seja, as empresas gaúchas produzem para marcas americanas, com design e especificações definidas.
“Essa fatia que a gente perde de mercado não se consegue repor, inclusive porque outros países já têm seus mercados definidos. O tarifaço de 50% vai ser o caos. A única saída seria a negociação com os EUA. O governo federal precisa dar apoio, mas acredito que ele não esteja preparado para isso”, afirma Klein.
Sérgio Galera faz outra observação importante. “Mesmo que o empresário diga para o cliente ‘vamos repartir a taxa, 25% para cada. Ainda assim, é um valor muito alto. Muitas vezes 25% é tua margem de lucro e em outros casos nem isso”, desabafa.
VEJA: TARIFA DE TRUMP: Confira lista das empresas mais impactadas com medida norte-americana
Sem “puxadinhos” e mais negociação direta
Na avaliação do vice-presidente de Economia da ACI, André Momberger, os subsídios pelo governo federal seriam uma espécie de “puxadinho” e causariam um rombo ainda maior nas contas do País.
“Vai aumentar o problema fiscal brasileiro. A gente (Brasil) já não tem dinheiro e aí vão se criando subsídios, que possivelmente virão de novos fundos transitórios, mas que acabam virando permanentes. Além de fazer com que setores não busquem novos mercados, vamos sustentar o déficit americano. E o mais absurdo de tudo é a gente (Brasil) não ter conseguido negociar nada, é uma situação bastante delicada.”
Um caminho que, na opinião do vice-presidente da ACI, deve ser estimulado é a negociação direta entre as empresas exportadoras e os clientes dos Estados Unidos.
“Setores como laranja, café, em que os EUA dependem muito da produção brasileira, deveriam falar com os clientes para pressionar o governo de lá. Mostrar que o que estão fazendo (EUA) trará sérios problemas. É uma agenda mais micro, no sentido de cada setor estudar a solução, mas pode ser uma saída.”