Exatos dois meses após o desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, a Polícia Civil afirmou, nesta terça-feira (24), ter conseguido prova técnica irrefutável de que o ex-marido está por trás do crime em Cachoeirinha.
Silvana sumiu no dia 24 de janeiro para uma suposta viagem a Gramado. Os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, sumiram um dia depois, ao saírem para procurar a filha.
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Foto: REPRODUÇÃO
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Conforme as autoridades, o aparelho celular que pertencia a Silvana estava com o ex após o desaparecimento dela. E não apenas isso: circulou por Canoas enquanto o policial militar estava de serviço nos dias 26 e 27 de fevereiro.
O soldado atualmente preso no Batalhão de Polícia de Guarda da Brigada Militar, em Porto Alegre, trabalhava na época na 3ª Companhia do 15ª Batalhão de Polícia Militar (BPM).
“Rastreamento do celular da vítima apontou que o aparelho estava circulando por Canoas, inclusive no quartel onde ele prestava serviço, nos dias 26 e 27”, apontou o delegado Anderson Spier. “Agora não resta dúvida da autoria.”
Publicação estratégica
O delegado afirma também que a postagem nas redes sociais de Silvana, apontando que havia sofrido um acidente, foi publicada pelo PM como estratégia para despistar as autoridades.
“Sem entrar em detalhes, agora possuímos prova de que ele realmente acessou o celular da Silvana e postou aquela mensagem de que ela estava bem para servir de cortina de fumaça”, reforça o delegado. “Sabíamos que ela nunca foi a Gramado, mas agora temos o quadro mais completo.”
Com a prova do envolvimento do soldado garantida, a Polícia pedirá, nos próximos dias, a conversão da prisão temporária para preventiva, de maneira a impedir que ele seja solto.
“Renovamos a prisão cautelar, mas diante da materialidade evidenciada pela presença do aparelho celular da vítima em Canoas, vamos pedir a prisão preventiva do suspeito”, confirma. “A ideia é que ele não saia mais da prisão.”

Foto: Paulo Pires/GES
Buscas
As buscas aos corpos das vítimas continuaram nesta terça-feira em uma área rural de Gravataí, por onde o soldado teria circulado após o desaparecimento. Nada, entretanto, foi achado.
O PM permanece em silêncio quanto ao que aconteceu com as vítimas. Como suspeito, não disse palavra alguma durante o último depoimento prestado na 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha.
“Até agora, não encontramos as vítimas, mas seguimos empenhados nas buscar”, afirma Spier. “Vamos ouvi-lo novamente nos próximos dias para saber se quebrará o silêncio sobre o paradeiro das vítimas.”

Foto: REPRODUÇÃO
Entenda o caso
No sábado do dia 24 de janeiro, Silvana Germann de Aguiar publicou no Instagram que ela havia sofrido um acidente de trânsito quando retornava de Gramado, mas que estava “bem”.
Um dia depois, os pais da moradora de Cachoeirinha, Isail e Dalmira Aguiar, saíram de casa para tentar encontrar a filha, mas acabaram igualmente desaparecidos, dando início ao mistério que perdura até hoje.
Ex-marido de Silvana, um soldado da Brigada Militar lotado em Canoas prestou depoimento como testemunha. Explicou sobre a rotina que mantinha com a ex-mulher, já que compartilhavam a guarda de um filho com 9 anos.
Dias depois, no dia 10 de fevereiro, ele acabou preso temporariamente como suspeito do desaparecimento. Isso porque a Polícia Civil descobriu as brigas mantidas pelo soldado com a ex devido à guarda compartilhada da criança.
O caso é trabalhado pela 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha como um feminicídio, seguido de duplo homicídio e posterior ocultação de cadáveres.