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APÓS 53 ANOS DE ATIVIDADES

"Deus conduziu a gente": Irmãs guanellianas se despedem da gestão do Oásis Santa Ângela em Canela

Instituição de longa permanência será alugada para grupo empresarial; confira

Mônica Pereira
Publicado em: 08/05/2026 às 10h:06 Última atualização: 08/05/2026 às 10h:07
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O lar de idosos Oásis Santa Ângela, em Canela, está prestes a se tornar a Casa Vallena. Depois de 53 anos de atividades sociais na cidade, as irmãs guanellianas deixam a gestão da instituição de longa permanência.

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Sônia Southier



Sônia Southier

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

A partir deste mês, obras começarão a ser realizadas no local para melhorias e adequações do novo projeto, que será focado no envelhecimento ativo e na reabilitação funcional. Quem assume o espaço será o grupo empresarial Vallena Living & Care, comandado pelo médico Marcelo Weber.

Em janeiro deste ano, o Instituto Filhas de Santa Maria da Providência anunciou o encerramento dos serviços no lar. Alegando dificuldades financeiras, a entidade acumula um déficit de R$ 2,4 milhões, ao longo dos últimos 11 anos.

Sem aceitar vender a propriedade, a irmã Sônia Maria Southier, responsável pela administração do Oásis, reforça que, desde a decisão, começou a receber propostas para locação da estrutura, que possui uma área de 7 hectares e 4,5 mil m² de área privativa. Um dos requisitos seria continuar o cuidado com os idosos.

Foram, ao todo, sete propostas recebidas. Uma comissão foi criada para análise, contando também com a participação de uma empresa de gestão voltada exclusivamente a instituições religiosas, que já prestava consultoria ao Oásis há quatro anos.

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“Nós definimos a proposta que não seria só um simples aluguel. Nós precisamos de alguém que venha, mas que invista no prédio. Nós pensamos muito, avaliamos tudo e conduzimos esse processo com muito diálogo, até aceitarmos a proposta do Dr. Marcelo. Foi a melhor proposta em si”, comenta Sônia, ao citar o contrato firmado por 20 anos.

O novo projeto não deve ter caráter social, neste primeiro momento. Sônia pontua que as irmãs guanellianas cumpriram sua missão social, ao longo das últimas décadas. “Chegamos a atender pessoas de forma totalmente gratuita. Mas os assistidos e a própria comunidade não conseguiam sustentar os serviços do Oásis”, assegura.

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A irmã salienta que quem aportava a maior parte dos recursos era a entidade na Itália, que foi quem doou a área e a construção da estrutura utilizada até hoje. “Quando a gente parou de receber esse dinheiro, por causa da crise na Europa, foi quando começamos a ter dificuldade. Mas estamos saindo com o sentimento de dever cumprido, porque, por 53 anos, nós garantimos o auxílio às pessoas idosas”, frisa.

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Os cerca de 50 funcionários foram demitidos e a irmã acentua que, apesar do déficit, a própria instituição absorveu os prejuízos e não há dívidas. “Saímos de cabeça erguida, porque o bem foi feito pelas nossas irmãs durante todos esses anos. E encerramos com dignidade, com todos os funcionários saindo com seus direitos”, atesta.

Nova estrutura Sônia conta que a locação foi somente da parte predial e que qualquer construção precisa ter a aprovação da instituição. Uma nova estrutura já aprovada é a construção de um espaço com academia e piscinas térmicas, para auxiliar na recuperação de idosos. “

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É algo que está crescendo. Nos últimos meses, recebemos pedidos para receber idosos que estavam no pós-cirúrgico, mas não tínhamos estrutura e recursos humanos para fazer esses atendimentos”, diz Sônia.

Na divulgação do projeto privado, os gestores da Casa Vallena ponderam que a operação deve começar cerca de três meses após a entrega das chaves. Ainda, o grupo prepara o anúncio de um projeto em moldes similares para a cidade de Gramado.

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Despedidas

No início deste ano, 46 idosos e 13 irmãs guanellianas moravam no local. Com o encerramento das atividades, os idosos foram transferidos para outras casas. Já as irmãs devem permanecer até o final deste ano, e depois encontrarão outras missões a servir.

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“Cada saída era uma despedida difícil. Deus conduziu a gente. Mas sentimos muita gratidão pelas famílias que nos apoiaram. Cada um levou uma lágrima nossa e deixou uma lágrima aqui”, salienta a irmã. “É uma dor encerrar essa história. Nós nos perguntamos: o que poderíamos ter feito a mais para não chegar neste momento? É a pergunta que fica, mas não tenho resposta. Mas somos muito gratas. As irmãs deram a vida e deram o coração pelo Oásis, e esperamos que o bem vai continuar a acontecer, em um formato diferente”, finaliza.

“Deus conduziu a gente”: Irmãs guanellianas se despedem da gestão do Oásis Santa Ângela, em Canela

 

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