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EPISÓDIO HISTÓRICO

Prevenção, alerta e monitoramento: Os aprendizados e as marcas dos dois anos da catástrofe climática

Em Gramado, a Defesa Civil está reforçada e atualiza protocolos do plano de contingência; confira os detalhes

Mônica Pereira
Publicado em: 05/05/2026 às 09h:07 Última atualização: 05/05/2026 às 13h:51
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As marcas da maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul estão presentes pelo Estado. Entre o final de abril e o mês de maio de 2024, os gaúchos viveram momentos que continuam na lembrança. Muitas famílias precisaram sair de casa, sem saber o que seria do futuro. Outras, perderam o bem mais precioso: pessoas que amavam.

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Defesa Civil de Gramado



Defesa Civil de Gramado

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

O dia 2 de maio se tornou de luto em Gramado e Canela. Somente nesse dia, em 2024, nove moradores da região morreram, em decorrência de deslizamentos de terra – todos no interior.

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Foram, ao todo, sete gramadenses e dois canelenses: Jocemar Zimmermann Branchine, Matilde Verônica Zimmermann, Rudimar Branchine, Antônio Pellicioli, Kaique Andriel Ludvig Santos, Nitiele Ludvig, Noeli da Rosa Duarte, José Alzemiro de Moraes, conhecido como Mirinho, e Marina de Moraes.

Passados dois anos, o tempo ainda é de reconstrução. Gramado teve 289 pontos monitorados com movimentações de massa.

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Apesar de valores que são constantemente atualizados, conforme o andamento dos projetos, há a estimativa de que mais de R$ 105 milhões sejam necessários para reconstruir os pontos afetados na cidade. Isso sem contar os valores milionários empregados pelo poder público – nas diferentes esferas -, e toda a ajuda da comunidade local e dos brasileiros que se sensibilizaram com a tragédia encarada pelos gaúchos.

Além da reconstrução, é preciso se tornar mais resiliente. Por isso, em Gramado, o lema de Defesa Civil é: prevenção, monitoramento e alerta.

Aproximação com a comunidade

Juliana Fisch



Juliana Fisch

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Durante esses dois anos, a Defesa Civil de Gramado tem atuado para se aproximar da comunidade. A coordenadora do órgão gramadense, Juliana Fisch, pondera que essa parceria é extremamente necessária. “Antes, as pessoas ficavam com receio quando nos viam. Hoje, já nos enxergam como aliados”, destaca.

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A partir de um estudo do Serviço Geológico do Brasil (SGB), foram apontados quase 70 pontos considerados de risco alto ou muito alto, associados a deslizamentos, rastejo, queda de blocos de rocha, inundação, enxurrada e erosão de margem fluvial.

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Com esse levantamento em mãos, a equipe da Defesa Civil iniciou o cadastramento dos moradores dessas áreas, começando pelo interior. Essas famílias são monitoradas e foram inseridas em grupos de WhatsApp específicos de cada localidade. Além de receberem informações atualizadas, monitoram a situação e avisam a Defesa Civil sobre qualquer anormalidade.

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“Queremos, até o final deste ano, concluir a cobertura de todo o interior e aí seguiremos para as áreas urbanas. Mas é um trabalho importante que temos realizado, de passar orientações e de termos esse contato mais próximo”, atesta Juliana.

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Rua Henrique Bertoluci, em Gramado



Rua Henrique Bertoluci, em Gramado

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Um dos pontos reforçados nas visitas é a necessidade de preservar a vida, sempre em primeiro lugar. “Ao ouvir um barulho ou perceber qualquer movimentação de terra, é preciso sair de casa imediatamente para evitar uma tragédia”, comenta.

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A cada cadastro realizado, um mapa interativo é atualizado. Com isso, a Defesa Civil possui dados específicos daquela comunidade.

Linha Pedras Brancas é local sensível

Resgate na Linha Pedras Brancas, em Gramado, em maio de 2024



Resgate na Linha Pedras Brancas, em Gramado, em maio de 2024

Foto: Corpo de Bombeiros de Gramado

Foi na Linha Pedras Brancas que seis gramadenses perderam a vida. O local é considerado um dos mais sensíveis no monitoramento da Defesa Civil, porque são 4,5 quilômetros de área de risco e há somente um acesso. Por isso, o órgão busca um contato bem próximo dos moradores. Um deles, inclusive, é responsável por monitorar um pluviômetro instalado na localidade – para medir o volume de chuva – e reportar os dados à Defesa Civil.

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Plano de contingência

Defesa Civil de Gramado



Defesa Civil de Gramado

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Gramado está prestes a divulgar a atualização do plano de contingência da cidade. Esse documento define ações antecipadas para responder a possíveis calamidades, minimizando danos, garantindo a continuidade das operações e, principalmente, uma resposta rápida às emergências.

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As definições serão apresentadas, neste mês, ao Executivo e órgãos de segurança envolvidos para os últimos ajustes, depois de ser atualizado com as novas leis do governo federal sobre o tema. Após isso, será submetido a uma audiência pública e, então, divulgado à comunidade.

O plano será publicado no site da prefeitura na íntegra e também de uma forma resumida para ter um acesso mais simples para entendimento geral.

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A coordenadora da Defesa Civil cita que o documento conterá informações sobre rotas de fuga dos locais de risco, endereços de abrigos que podem ser montados para receber as pessoas e qual o papel de cada órgão em uma situação de emergência.

Apesar de chamar de atualização, Juliana acentua que o documento é totalmente diferente do existente anteriormente. Para essa concepção, diversas capacitações foram realizadas, bem como houve a busca por planos de cidades de Santa Catarina, que são consideradas referência. “Hoje, o plano condiz com a realidade de Gramado e outros municípios estão nos procurando para utilizar o nosso como modelo”, alega.

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Juliana também assegura que a Defesa Civil, em breve, terá um portal dentro do site do Executivo. Com o acesso, a comunidade vai ter dicas de segurança e poderá monitorar em tempo real os pluviômetros instalados na cidade.

Atualmente, são dois automáticos, instalados em parceria com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), na base da Defesa Civil e na escola Mosés Bezzi. Entretanto, a coordenadora afirma que Gramado está realizando a contratação de seis estações meteorológicas, que vão reforçar esse monitoramento do clima na cidade.

Protocolos, equipamentos e monitoramento

Para Juliana, ao longo desses dois anos, Gramado se preparou e se capacitou para situações de emergência. “Estamos trabalhando na prevenção e na preparação. Essas situações de ciclones e chuvas volumosas vão fazer parte cada vez mais do nosso dia a dia, precisamos estar preparados”, corrobora, comentando ações realizadas como o projeto Agente Mirim, com a capacitação de crianças e jovens.

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“Gramado está muito à frente de muitos outros municípios. Se nada acontecer, melhor, mas temos que prever eventos esporádicos, e temos que nos precaver, com estoques de lonas, telhas e uma equipe treinada para saber o que fazer”, coloca.

A coordenadora destaca ainda o reforço na aquisição de veículos, materiais e equipamentos que auxiliam nas operações da Defesa Civil. Os próximos itens na lista de prioridades são uma antena Starlink, para ter acesso à Internet mesmo em locais remotos, e um gerador de energia.

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“O importante é que hoje nós temos um protocolo a seguir e conseguimos dar uma resposta rápida à comunidade. Inclusive, o plano de contingência já inclui um protocolo de atendimento psicossocial, unindo áreas da saúde, educação, assistência social e a Defesa Civil”, finaliza.

Atualização sobre as grandes obras

Mariana Reis



Mariana Reis

Foto: Câmara de Vereadores de Gramado

Na segunda-feira, dia 27, a procuradora-geral de Gramado, Mariana Melara Reis, ocupou o espaço da Tribuna do Povo, na Câmara de Vereadores, para prestar atualizações sobre as grandes obras que estão sendo projetadas, em razão da calamidade de 2024.

O atual Gabinete de Retomada tem reuniões quinzenais para tratar sobre a reconstrução da cidade. “Mais de uma centena de pessoas continuam trabalhando na reconstrução de Gramado”, assegura Mariana.

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Na oportunidade, a procuradora explicou sobre os ritos públicos que precisam ser seguidos para a contratação de uma empresa para executar um serviço, incluindo estudos técnicos e termos que embasam licitações. “E isso leva tempo, ainda mais quando a gente tem um desastre dessa magnitude que afetou tão drasticamente a nossa cidade em alguns pontos”, acrescenta.

Dentre as novidades, a procuradora estabelece que, se todos os ritos seguirem os trâmites normalmente, a primeira etapa das obras no bairro Piratini, na chamada Piratini Norte, deve começar em junho.

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Já no bairro Dutra, estão sendo elaborados os projetos executivos, ou seja, o detalhamento da obra para posterior início do processo de licitação. As obras de drenagem no entorno da Rua Emílio Leobet foram concluídas e as equipes responsáveis fazem o monitoramento da área.

Obra no bairro Três Pinheiros segue sem prazo para ser retomada



Obra no bairro Três Pinheiros segue sem prazo para ser retomada

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Em relação ao bairro Três Pinheiros, Mariana atesta que a empresa que estava executando a obra e paralisou o trabalho está sofrendo um processo administrativo. “Nós estamos cobrando a multa e, se eles não pagarem administrativamente, nós vamos partir para o Judiciário”, diz. Ainda, haverá uma reformulação do projeto, já que a nova tentativa de licitação foi fracassada, com a atualização de valores.

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“Eu quero dizer que o trabalho nunca parou, nós continuamos trabalhando firmemente. Queremos muito que, até o final do mandato do prefeito Nestor, ao menos, se não totalmente, mas que boa parte dessas obras esteja concluída”, pondera a procuradora.

15 famílias da região em aluguel social

Construção do Loteamento Recomeçar, em setembro de 2024



Construção do Loteamento Recomeçar, em setembro de 2024

Foto: Fernanda Amaral/PMC/Divulgação

Em Gramado e Canela, atualmente, 15 famílias ainda recebem aluguel social, em decorrência da catástrofe climática de 2024.

Em Gramado, são duas. Esses moradores residiam na Rua Henrique Bertoluci, em uma edificação – com dois andares – que está interditada pela Defesa Civil. O retorno é incerto, pois serão necessárias obras de contenção no local. Assim, poderá haver a desapropriação do imóvel, com o pagamento de indenização aos proprietários. O caso está sendo estudado por equipe técnica e analisado por um conselho de habitação.

Essas duas famílias recebem, cada uma, R$ 1.518 de aluguel social. Com isso, o município investe R$ 3.036 no benefício, estabelecido por critérios, como o imóvel ter sido atingido pela calamidade e interditado pela Defesa Civil.

Em 2024, 196 famílias chegaram a receber o auxílio do município – com duração de seis meses, podendo ser prorrogado por mais seis. Além disso, houve uma política municipal com ajuda em parcela única de R$ 1.375 – valor pago para pessoas que moravam de aluguel em casas interditadas. Na época, 125 famílias foram beneficiadas.

Gramado optou por indenizar os proprietários de lotes que precisaram sair de casa por estarem em locais de risco. As áreas, hoje, são consideradas de interesse público. Mais de R$ 8 milhões foram investidos nessas desapropriações.

Já em Canela, são 13 famílias beneficiadas com o aluguel social, e outras 13 que já deixaram o programa, por não atenderem mais as condições ou por encaminhamento habitacional definitivo.

O valor pago é de R$ 1.359, mas pode variar conforme o valor do imóvel locado – observados os limites e critérios estabelecidos pela legislação. Canela investe R$ 17,6 mil no benefício mensalmente de recursos próprios da prefeitura. O prazo estabelecido para o pagamento do aluguel social é de até dois anos.

Conforme o servidor Eduardo Nunes, do Departamento de Habitação e Programas Sociais da Secretaria de Assistência, Desenvolvimento Social, Cidadania e Habitação de Canela, famílias ainda estão no programa porque o Executivo está finalizando o loteamento social Recomeçar, destinado ao reassentamento dos atingidos pelos eventos climáticos.

Desde 2024, 44 famílias já foram encaminhadas para moradia definitiva, sendo que mais 13 casas devem ser entregues. A expectativa é que isso ocorra até o final deste ano. Em contrapartida, a prefeitura está adotando medidas de fiscalização e monitoramento, com atuação dos setores competentes, buscando coibir novas ocupações irregulares em áreas de risco ou atingidas por eventos climáticos.

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