O El Niño deve começar nas próximas semanas e ganhar intensidade ao longo do segundo semestre de 2026. Segundo a MetSul Meteorologia, a chegada do fenômeno aumenta o risco de eventos extremos no Brasil, especialmente na região Sul.
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Foto: Reprodução/MetSul Meteorologia/COPERNICUS
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O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal, alterando a circulação da atmosfera e influenciando o clima em diferentes partes do planeta. Os episódios costumam ocorrer a cada três a cinco anos e podem provocar impactos tanto positivos quanto negativos na agricultura, no abastecimento de água e na ocorrência de desastres naturais.
Dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, já apontam quatro semanas consecutivas de aquecimento no Oceano Pacífico Equatorial em níveis compatíveis com El Niño. As anomalias de temperatura da superfície do mar chegaram a 0,9°C nas últimas medições, enquanto registros diários já indicam aquecimento acima de 1°C.
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Segundo os meteorologistas, uma grande massa de água extremamente quente abaixo da superfície do Pacífico começa a emergir, o que deve reforçar o aquecimento nas próximas semanas e consolidar o fenômeno entre o fim de maio e junho.
“São necessárias várias semanas de anomalias oceânicas de El Niño para que um evento seja declarado, assim é altamente improvável que a NOAA anuncie o começo do El Niño de 2026 já agora em maio. O mais provável é que o anúncio venha em junho, como se deu em 2023, ou mais tardar em julho”, explica a MetSul.
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Impactos do El Niño
As projeções climáticas indicam que o El Niño pode atingir forte intensidade até o fim do ano. Modelos internacionais, como o europeu ECMWF e o norte-americano CFS, apontam possibilidade de um episódio forte a muito forte — esse conhecido como Super El Niño —, com pico entre outubro e dezembro.
No Brasil, os impactos devem variar conforme a região. No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a tendência é de aumento significativo das chuvas, maior frequência de temporais, enchentes e cheias de rios, principalmente entre setembro e novembro.
“Nenhum El Niño é igual ao outro e, desde o início, os efeitos já devem ser diferentes do último episódio de 2023-2024, com tendência de chuva acima a muito acima da média neste fim de outono entre o Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo e parte de Santa Catarina, inclusive com risco de inundações”, pontuam os meteorologistas.
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A MetSul alerta ainda que o segundo semestre deve concentrar o período de maior risco para eventos extremos na região Sul. “No Sul do Brasil, o El Niño costuma ter efeitos mais marcantes, com aumento significativo das chuvas e maior frequência de eventos extremos”, aponta.
Segundo os especialistas, na região, o fenômeno favorece episódios de chuva volumosa, aumentando o risco de cheias de rios e enchentes, especialmente durante o inverno e a primavera deste ano e no outono seguinte. A tendência também é de maior frequência de temporais e ciclones, alguns deles intensos, além de temperaturas acima da média, apesar da possibilidade de períodos de frio ao longo da estação.
Já no Norte e no Nordeste do País, o El Niño costuma provocar redução das chuvas, aumento do calor e agravamento da seca. No Sudeste e no Centro-Oeste, a tendência é de temperaturas acima da média e períodos de calor intenso.