Há três anos, a região conta com um reforço no trabalho ostensivo realizado dentro dos presídios. Desde setembro de 2022, Canela é base para o treinamento dos chamados K9, os cães policiais. Essa é a primeira unidade da 7ª Delegacia Penitenciária Regional (DPR), sediada dentro da instituição prisional de Canela, mas que envolve também as cadeias de São Francisco de Paula, Vacaria, Nova Prata, Caxias do Sul e Bento Gonçalves.
APÓS INCONSTITUCIONALIDADE: Gramado voltará a debater taxa para a entrada de veículos na cidade

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Atualmente, são quatro cachorros que ajudam os policiais penais nas diferentes demandas do dia a dia da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), como nas intervenções, operações e para a detecção de materiais ilícitos.
A estrutura foi construída com a mão de obra de 15 apenados, em uma área de 300 metros quadrados. O canil possui até piso aquecido nas oito baias, bem como áreas de treinamento, banho e administrativa.
O Brutus (rottweiler), a Sparta (pastor-alemão), o Guri (pastor belga malinois) e o Stark (golden retriever) são os cães que estão na região. O delegado penitenciário, Eder Schilling, destaca que é possível perceber uma evolução no trabalho ao longo desses três anos. “Queremos cada vez mais aprimorar e evoluir essa atuação”, atesta.
Como atletas de alto rendimento

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Os cachorros realizam treinamentos todos os dias e têm alimentação regrada. Eles são como atletas de alto rendimento. Além de manter a forma, precisam estar condicionados a saber o que fazer em cada situação. No canil em Canela, uma esteira está à disposição para os exercícios em dias de chuva.
PROJETO-PILOTO: Gramado quer formar um batalhão de agentes mirins da Defesa Civil
O policial penal Pedro Oliveira Duarte explica que a seleção dos cães pode acontecer com filhotes ou animais já adultos, tudo depende de uma predisposição para o trabalho. “Temos algumas raças com esse perfil, mas qualquer cão pode ser treinado”, conta.

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
O tempo de treinamento também varia de acordo com o animal. “Mas precisamos que o cão tenha o instinto e a vontade para o trabalho”, acrescenta o servidor, que integra o Grupo de Intervenção Rápida (GIR).
NA SERRA GAÚCHA: Governo federal autoriza licitação para iniciar construção do aeroporto de Vila Oliva
“A gente observa a aptidão do cachorro e a disponibilidade mental dele para atuar nas operações. Não tem como estarmos com um cão que se incomoda com o barulho, por exemplo. A gente nunca sabe qual situação vai enfrentar”, comenta o policial Juliano de Sousa, também responsável pelo treinamento dos K9.
PARA MELHORAR O SERVIÇO: Gramado vai lançar licitação do transporte público com proposta de redução no valor da passagem
Com o tempo, um vínculo acaba sendo criado entre o animal e o condutor. E Juliano sabe bem disso. Durante uma rebelião, em Canela, em fevereiro deste ano, ele teve a integridade física protegida por Brutus, que interveio quando um detento tentou agredi-lo.
Proteção nas intervenções

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
O grupo do canil é acionado pela delegacia penitenciária para apoiar a execução dos serviços nos presídios. Por exemplo, quando há indisciplina dos detentos. Nesse cenário, muitas vezes, o cão fica como um apoio de presença ostensiva.
IMPACTO NO TURISMO: “Mudar de patamar as rodovias que levam para a Região das Hortênsias”, cita governador sobre concessão do Bloco 1
Como é o caso do Guri. Juliano é o tutor do cão e o cedeu à instituição. Para que ele possa se manter em forma, realiza três horas de treinos diários.
Caso haja algum tipo de risco aos servidores, os cães entram em ação. Entretanto, os policiais reforçam que a mordida é o último recurso utilizado. Por isso, em algumas situações, os cachorros usam focinheira e há somente o impacto junto ao presidiário.
FUTURISMO ESTRATÉGICO: Estudo aponta diagnóstico sobre o turismo e institui 43 projetos para a Gramado do Amanhã
Segundo os regramentos do Estado, os cães podem trabalhar por oito anos ou até atingirem 10 anos de idade.
Operações com mais agilidade
Outro ponto é que, com a utilização dos cães, as revistas dentro das celas e presídios se tornam mais ágeis e eficientes. A Sparta tem esse treinamento, assim como o de intervenção prisional. Em poucos segundos, ela consegue identificar substâncias ilícitas em um local.
MEIO AMBIENTE: Estudantes de Canela plantam árvores para auxiliar na recuperação da mata ciliar no Arroio Marta
Pedro, que é veterinário de formação, conta que o treinamento é realizado com ScentLogix, que são fórmulas contendo a assinatura química das drogas. Ele reforça que os animais não possuem contato direto com os entorpecentes encontrados, até porque existe muita mistura de substâncias – o que pode confundir o faro do cão.
Por isso, ele atesta que é mito a crendice popular de que os cães que farejam as drogas sejam viciados.

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Quem está em treinamento para esse tipo de atuação é o golden Stark. O filhote faz um trabalho junto aos usuários da Apae de Canela, com a terapia assistida. “Mas ele também tem esse instinto de faro e já demos uma boa base da formação para ele se tornar um cão de detecção”, reforça Pedro.
ESPORTE: Gramadense projeta parceria com o Palmeiras para intercâmbio de atletas e comissão técnica
Um dos locais mais inusitados em que os cães encontraram drogas na região foi em um vão dentro de uma porta de ferro. Conforme os ensinamentos, os cachorros também podem detectar armas e até mesmo celulares. “Fazemos um trabalho diário em busca de resultados”, comenta Juliano.
Para os cães, todo o trabalho é em busca de recompensas: as bolinhas. Apesar da rigidez dos treinamentos, eles possuem tempo de descanso e de relaxamento, para evitar que fiquem estressados.
TROFÉU CONCHA DE CRISTAL: Prato que combina culinária nordestina e gaúcha coroa chef em concurso do Festival de Gastronomia de Gramado
LEIA TAMBÉM