Uma espera de mais de dois anos está mais perto de chegar ao fim, em Gramado. Após deslizamentos de terra no bairro Piratini, durante a catástrofe climática de abril e maio de 2024, as obras de reconstrução da localidade vão iniciar em 40 dias.

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
O contrato firmado entre a prefeitura e a Geox Geotecnia e Engenharia foi assinado, na noite de quarta-feira, dia 1º. Em um encontro com a comunidade, na escola Senador Salgado Filho, o prefeito de Gramado, Nestor Tissot, o engenheiro responsável pelos projetos, Luiz Bressani, e o diretor da Geox, Paulo Scarin, explicaram sobre os processos realizados e as expectativas das intervenções.
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A empresa executará as melhorias nos trechos das ruas Henrique Bertoluci, Guilherme Dal Ri e Afonso Oberher – a chamada Piratini Norte. Na área, haverá uma intervenção de 13,5 mil metros quadrados, contemplando solo grampeado, cortina atirantada, cortina com estacas justapostas, muro gabião e pavimentação.

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
A contratação da empresa, por meio de processo licitatório, tem o valor total de R$ 13,6 milhões. Desse montante, há a destinação de R$ 12,9 milhões do Sistema Nacional de Proteção Da Defesa Civil e uma contrapartida municipal de R$ 759,9 mil. A projeção é que as obras sejam concluídas em 18 meses.
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“Nossa equipe não parou um dia sequer de buscar soluções para esses problemas, que não são poucos e não são pequenos. Desde a ideia do melhor caminho para corrigir o que aconteceu, construir projetos seguros e buscar o recurso. Não é um caminho rápido e simples, exige muito trabalho e persistência”, declara o prefeito. “E não começou antes porque não foi possível. A gente tem que começar no momento em que a obra se põe à disposição, do projeto, do recurso e da licitação”, complementa Nestor.
“Não é um projeto simples”

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
O projeto de reconstrução foi realizado pela BSE Engenharia, que também idealizou a estabilização do solo no Loteamento Orlandi, no bairro Várzea Grande, atingido pela calamidade de 2024.
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No caso da Piratini Norte, o especialista em geotecnia e engenheiro civil, Luiz Bressani, reforça que o escorregamento de massa que aconteceu na área não é algo comum.
Com mais de três décadas de experiência, Bressani pontua que não havia visto nada “tão grande inserido no meio da cidade”. “Por sorte, o movimento era lento, e não causaria mortes, mas nós não tínhamos capacidade de segurar para salvar as casas”, atesta o engenheiro, que estava na cidade quando a catástrofe começou.
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Desde então, ocorreram ações de monitoramento e investigação para a construção do projeto, que foi entregue ao Executivo em julho de 2025.
Conforme o engenheiro, há uma “linha” que corta o bairro e, nesse ponto, há uma separação de materiais no solo. Foi isso que gerou os deslizamentos, que foram impulsionados pelo volume de chuva daquela época. O movimento lateral e profundo empurrou as casas que ficavam no entorno.
Ao todo, 33 lotes foram desapropriados e os moradores estão sendo indenizados. De acordo com a procuradora-geral do município, Mariana Melara Reis, 20 já foram pagos e os outros 13 seguem em tramitação, aguardando documentações necessárias para comprovar a propriedade dos terrenos. “Mas o valor está reservado para ser pago no momento em que concluir o processo”, assegura.
Agora, o projeto será executado com o intuito de estabilizar o terreno. Bressani acentua que a área não poderá mais ser habitada, mas que haverá a possibilidade de, no futuro, construir uma praça no local. “Não é um projeto simples, mas é um projeto pensado para ser o mais eficaz e econômico possível”, afirma.
Empresa especializada

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Com 25 anos de atuação, a Geox Geotecnia e Engenharia é especializada em obras de geotecnia, atuando para prefeituras em diferentes lugares do País, como Maceió, Petrópolis, Londrina e Belo Horizonte. A empresa tem sede em Cotia, no Estado de São Paulo.
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O diretor Paulo, que é engenheiro civil, já atuou em mais de 100 obras no Brasil, Paraguai e Argentina. Segundo ele, a participação no processo licitatório de Gramado surgiu a partir do interesse da empresa na expansão dos negócios para a região Sul do Brasil.
Na obra do bairro Piratini, há a expectativa de um grupo de trabalho entre 40 e 50 pessoas, com cerca de 30 contratações de mão de obra local.
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O prazo de 40 dias para o início da execução é também para a estruturação do canteiro de obras, chegada de maquinário e compra de materiais. “Há aços e telas especiais que precisam ser encomendados”, pontua.
Na ocasião, Paulo pediu a compreensão da comunidade, devido aos transtornos que as intervenções causarão. “Vamos iniciar na parte de baixo, com o muro de gabião, para dar estabilidade na área e poder realizar a parte de cima, que precisará ser escavada”, conta.
Estudos na Piratini Sul são realizados
A BSE Engenharia também está realizando os estudos para os projetos da Piratini Sul, que envolve o entorno da Rua Nelson Dinnebier. No local, seis lotes foram desapropriados pela prefeitura, após o desmoronamento de terra. De acordo com Bressani, a busca é pela estabilização do solo. As residências serão demolidas, conforme o andamento das obras.
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“Lá, as casas tiveram um efeito muito grande na instabilização. A escavação para a construção das casas causou o problema”, acentua.
Em paralelo, a prefeitura está buscando soluções para construção da rua que ligará os bairros Piratini e Prinstrop. A obra havia iniciado, mas foi paralisada por causa dos deslizamentos que aconteceram no local.
Licitação do Três Pinheiros
A nova licitação para a execução das obras de reconstrução no bairro Três Pinheiros deve ocorrer na segunda quinzena deste mês. Os valores do contrato estão sendo atualizados com a Defesa Civil Nacional, pois o último processo licitatório encerrou como fracassado, já que nenhuma empresa se habilitou para o certame.
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Segundo a prefeitura, algumas reportaram que o valor proposto estava defasado e abaixo do praticado no mercado.
Os serviços da reestruturação da cortina atirantada, junto da perimetral, iniciaram em julho de 2024,mas foram paralisados alguns meses depois. Com o custo estimado em pouco mais de R$ 4,1 milhões, a empresa responsável alegava que a quantidade de água e o solo frágil estavam dificultando a finalização do trabalho. Após apontar um desequilíbrio econômico-financeiro, a obra foi abandonada.
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