abc+

DIA ESPECIAL

Dia das Mães em Gramado é de amor, trabalho e empreendedorismo

Participantes da Feito em Gramado, mulheres de rotina agitada contam sobre os desafios e alegrias da maternidade. Este domingo (10), será comemorado dentro dos pavilhões do Expogramado

Mônica Pereira
Publicado em: 10/05/2026 às 08h:09 Última atualização: 10/05/2026 às 08h:09
Publicidade

O pavilhão principal do Expogramado está repleto de produtos que exibem o que de melhor é produzido em Gramado. Na 14ª edição, a feira Feito em Gramado conta com 197 expositores, divididos em 2,1 mil metros quadrados de montagem, em uma vasta gama de itens, como móveis, decoração, gastronomia, artesanato, jardinagem.

Publicidade

GRAMADO SUMMIT: Gramado cria política pública para fortalecer inovação

Entre os estandes, histórias de vida e de superação. Entre elas, as de muitas mulheres que conciliam a vida agitada do empreendedorismo com a maternidade. Com um final de semana que promete bastante movimentação, viverão um domingo de Dia das Mães de trabalho, mas, como elas mesmas acentuam, também de muitas realizações.

Um forno e um sonho

Natália Melvino



Natália Melvino

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Filas e filas se formaram no evento para provar o viralizado bolo de pudim. Febre nas redes sociais, o doce foi um dos queridinhos dos primeiros dias de feira. A responsável pelo sucesso é a empresária Natália Melvino, de 37 anos.

A mãe do pequeno Henrico, prestes a completar 3 anos, gravou um vídeo despretensioso, mas que já tem mais de 120 mil visualizações somente no Instagram. Com a procura, a semana foi de muita produção. Somente na quinta-feira, dia 7, mais de dez quilos de bolo de pudim foram colocados à venda.

APÓS 53 ANOS DE ATIVIDADES: “Deus conduziu a gente”: Irmãs guanellianas se despedem da gestão do Oásis Santa Ângela em Canela

Publicidade

Natural de São Paulo, Natália se mudou para Gramado na época da pandemia, após a transferência de trabalho do marido. Iniciando a carreira no ramo imobiliário, precisou tirar licença depois de complicações na gestação. Ela brinca que não consegue ficar parada e, por isso, começou a fazer tortas para alguns conhecidos.

Honrando o talento que herdou do pai na confeitaria, também teve a ideia de produzir ovos de Páscoa. A divulgação era realizada no perfil pessoal nas redes sociais. Até que chegou um pedido que não podia recusar: 100 ovos de chocolate que seriam doados para crianças em situação de vulnerabilidade. “Eu grávida e com um barrigão, mas não consegui dizer não para esse pedido”, brinca.

EPISÓDIO HISTÓRICO: Prevenção, alerta e monitoramento: Os aprendizados e as marcas dos dois anos da catástrofe climática

Publicidade

O negócio foi crescendo e Natália começou a se especializar em bolos de casamento e aniversário. Com esse aumento na produção, em 2024, decidiu que era hora de ampliar a empresa. Comprou um forno, novos utensílios e alugou uma casa maior. Contudo, a catástrofe climática atingiu o Estado e a residência foi interditada pela Defesa Civil por causa dos riscos. “Eu saí com um forno e um sonho”, recorda.

Mesmo em um período de dificuldade, foi ajudar quem mais precisava e atuou como voluntária limpando casas em Três Coroas. Depois de passado o susto, conseguiu retirar o restante dos móveis da casa, mas cita que perdeu o investimento que tinha feito para conseguir se mudar. “Me deu vontade de desistir, mas eu continuei”, enfatiza.

Publicidade

Em 2025, surgiu uma oportunidade que a fez ficar ainda mais conhecida. Ela participou da programação da edição especial na Mara Cakes Fair, que ocorreu durante a Páscoa, na Rua Coberta. Na oportunidade, até a apresentadora Ana Maria Braga se encantou por uma de suas produções.

E no ano passado foi quando participou pela primeira vez da Feito em Gramado. “Eu estava me estruturando ainda, trouxe meu forno e fazia os bolos dentro da feira mesmo. Foi muito legal, porque tinha aquele cheiro de bolo por todo canto. E isso me abriu muitas portas. Depois, participei de muitos outros eventos aqui na cidade. Está sendo uma experiência incrível”, reforça.

No Dia das Mães, celebrado no domingo, dia 10, Natália trabalhará. Mas, contando com a rede de apoio, a mãe levará o Henrico para o evento.

Publicidade

“Quando não estou em feiras, tendo ao máximo dar prioridade a ele, ter sempre nossos momentos de lazer. Nessas épocas mais corridas em que ficamos mais distantes, é difícil. Mas toda essa dedicação é para ele. Depois que tive meu gurizinho, tudo mudou”, comenta a confeiteira, que cita que está animada para poder atender outras mães e deixar o dia delas mais doce.

Visão de negócios em busca de oportunidade

Meire Almeida



Meire Almeida

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

A empresária Meire Almeida, de 41 anos, está empreendendo há cerca de oito anos, quando ela e o marido decidiram comprar duas máquinas para iniciar a produção própria de toucas e luvas. Com o tempo, as vendas foram aumentando e ela assumiu a demanda, com foco em buscar inspirações de fios, cores e tecidos para ampliar os produtos da marca.

Publicidade

“Gramado é uma cidade turística e as pessoas vêm para tirar fotos e estar bonitas. E a gente traz isso para os nossos clientes”, afirma.

ACORDO COM O MINISTÉRIO PÚBLICO: Revogada a cobrança da Taxa de Turismo Sustentável em Gramado

Publicidade

Mãe da Maria Eduarda, de 16 anos, Meire engravidou novamente na época da pandemia, da Isabelly, de 5 anos. Com as dificuldades da época, recorda que, pela falta de visitantes, precisou vender pizzas para a renda da família, enquanto o marido se tornou caminhoneiro.

Só que o estoque de peças de inverno já estava pronto, com 2 mil peças. Assim, decidiram participar pela primeira vez da Feito em Gramado, como uma forma de tentar vender os itens.

“A gente começou a perceber um mercado muito promissor e aumentamos o nosso mix de produtos, consequentemente, ampliando a fábrica”, pondera Meire, que tem dois funcionários e faz a contratação de outras três costureiras, conforme a demanda. “A feira não é só o contato com aquele comprador na hora, mas abre a possibilidade de muitos outros clientes no atacado”, corrobora.

SAÚDE: Justiça autoriza e prefeitura dá continuidade a processo para contratar empresa que fará gestão do hospital de Gramado

A chegada das filhas mudou tudo na vida da empresária e até inspirou na criação da marca, que chama Dudabelly Tricô. “Conciliar tudo é bem desafiador, mas eu consegui criar uma rotina com elas. Estamos sempre juntas e quero mostrar para elas que tudo é possível, não é fácil, mas a gente consegue”, salienta.

“Estaremos aqui trabalhando no Dia das Mães, recebendo carinho e atendendo muito bem outras mães, que venham conhecer os nossos produtos”, cita Meire.

Um hobby da infância que virou empresa

Jhenny Schmitt



Jhenny Schmitt

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

A construção da casa própria foi uma das conquistas oportunizadas pelo trabalho artesanal de Jhenny Schmitt, de 26 anos. O que começou como um hobby, aos 14 anos, se transformou em profissão.

A empresária produz itens em biscuit. O principal produto, atualmente, são os topos de bolo, mas conta com xícaras personalizadas, ímãs de geladeira e os tradicionais enfeites de chimarrão.

CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO: Instrutores autônomos e alunos de Gramado estão se adequando às novidades da CNH do Brasil

O negócio começou há dois anos, quando ela foi demitida da empresa que trabalhava como confeiteira, por causa das consequências da catástrofe climática. De pouco em pouco, mas as vendas começaram e hoje consegue um salário maior do que tinha como assalariada. “É como se eu estivesse sempre em uma alta temporada, mas trabalhando no conforto de casa”, assegura.

Com o gosto pela criação de peças únicas, Jhenny conta que esta é a primeira participação da feira e que decidiu aceitar o desafio como uma forma de apresentar o trabalho. As vendas do primeiro final de semana surpreenderam, e ela até precisou produzir mais peças para atender a demanda.

“Retrocesso ambiental”: Tribunal de Justiça considera inconstitucional lei que voltou a permitir distribuição gratuita de sacolinhas plásticas em Gramado

Mãe do Pedro Luca, de 7 anos, e madrasta do João Carlos, de 11 anos, a artesã possui uma rotina criada para priorizar momentos de lazer com os meninos.

No Dia das Mães, vai estar trabalhando, mas com o pensamento neles. “O Pedro me transformou. Ele é maravilhoso e já entende que o que eu estou fazendo é para garantir o futuro dele”, frisa.

“Ser mãe foi um sonho que realizei”

Leani Streich



Leani Streich

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

A professora aposentada Leani Streich, de 60 anos, encontrou no crochê um complemento de renda, após a aposentadoria. Formada em Letras, atuou por muitos anos em escolas e tinha a atividade como um hobby.

Há quatro anos, fez um curso de especialização para aprender a produzir cachepôs. “Comecei e não parei mais”, brinca Leani. Hoje, ela é integrante de uma associação na Casa das Artes e também atua nas feiras criativas junto ao lago Joaquina Rita Bier, vendendo também bolsas, almofadas e diversos outros itens. “Uma terapia, um passatempo que eu tinha, que agora é renda”, reforça.

APÓS A CATÁSTROFE CLIMÁTICA: Quando deve começar a obra de mais de R$ 43 milhões para reconstruir ruas do bairro Piratini? Prefeitura de Gramado atualiza situação

Este Dia das Mães, contudo, será mais triste para a artesã, pois será o primeiro após o falecimento da mãe, aos 92 anos. Com as boas recordações, ela receberá também o carinho da filha, Carolina, de 30 anos. “Ser mãe foi um sonho que realizei. Uma esperança de continuação, de ter alguém pensando em ti”, acrescenta.

A arte de ensinar o que se sabe

Angela Maria



Angela Maria

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

“Das 14 feiras que já foram realizadas, eu participei de, pelo menos, umas dez”. Essa é a relação de Angela Maria, de 66 anos, com a Feito em Gramado. O estande colorido é repleto de produções próprias da costureira, que ama estar em contato com as pessoas, ensinar e aprender.

GRAMADO: Licitação para retomada de obras no Três Pinheiros encerra como fracassada

A história com a arte começou com a avó, que também era costureira. Com a chegada da primeira filha, Michele, há 47 anos, se dedicou à costura para estar mais perto da família. Na época, ia até a casa da sogra para poder fazer reparos em roupas. Doze anos depois, veio a caçula Rochele.

Com a paixão em criar sempre presente, Angela foi convidada para participar de uma feira no Natal Luz. “E nisso estou fazendo feiras há mais de 30 anos”, recorda. “Passei por muitas situações difíceis nesta vida e a costura passou a ser uma terapia, mas com lucro”, assegura a artesã, idealizadora do projeto Corações Afetuosos, que, há dez anos, entrega kits maternidade a mães em situação de vulnerabilidade.

ACORDO COM O MINISTÉRIO PÚBLICO: Revogada a cobrança da Taxa de Turismo Sustentável em Gramado

Angela também ministra aulas e capacita mulheres para que possam encontrar na arte uma fonte de renda. “E muito me orgulha ver minhas alunas se transformarem em empreendedoras”, argumenta.

Nos últimos anos, a artesã tem se dedicado a ações voltadas ao meio ambiente, criando uma linha de produtos com materiais reaproveitados, como cachepôs feitos com recipientes de plástico. “E tem sido um sucesso, além de conscientizar as pessoas de que a gente pode transformar o lixo em luxo”, corrobora.

VÍDEO: Começa a produção de dez ônibus para compor a frota da nova operação do transporte público de Gramado

Já bisavó, o Dia das Mães para Angela será de trabalho. “Aqui, sou uma pessoa de muitos filhos. Na feira, recebo muitos abraços e é um dia muito alegre. Estar trabalhando no Dia das Mães é um presente. Conviver, conversar e compartilhar são momentos únicos na vida da gente”, finaliza.

Mais de 21 mil pessoas em dois dias

14ª edição da Feira Feito em Gramado



14ª edição da Feira Feito em Gramado

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Desde a abertura, na quinta-feira, dia 30, a Feito em Gramado tem sido de muita movimentação. Somente no sábado e domingo, dias 2 e 3, mais de 21 mil pessoas circularam pelo espaço.

“Gramado desenvolveu uma política pública de empreendedorismo e desenvolvimento que deu certo”, atesta o secretário de Inovação, André Castilho dos Reis, ressaltando a variedade de itens produzidos pela comunidade. “É uma oportunidade de negócios que os expositores têm para o ano inteiro, fechar parcerias e vendas diretas. A Feito é uma vitrine”, complementa.

HOTEL E RESIDENCIAL: Empreendimento de Canela fecha parceria de saúde com hospital Albert Einstein

Dentre os marcos desta 14ª edição, houve a assinatura do decreto que regulamenta a lei do selo Feito em Gramado. A medida garante que artesãos e produtores locais sejam qualificados, concedendo uma certificação de originalidade e procedência aos produtos gramadenses.

TURISMO: Trem Porto Alegre-Gramado: Saiba em que ponto está projeto para construção de linha ferroviária

A feira segue até o dia 17 de maio, com entrada e estacionamento gratuitos, de segunda a sexta-feira, das 11 às 21 horas, e aos sábados e domingos, das 10 às 21 horas.

 

Publicidade